sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Símbolo de Unidade e Permanência


















Pela presente elevo uma imagem deste Macaco como símbolo da unidade e da permanência do Reino de España, projeto político que detesto!

terça-feira, 26 de junho de 2007

O Lapso Geográfico



















A inauguração do Museu Berardo teve pompa e circustância. Uma das poucas falhas a que Lisboa se tinha permitido a ela própria até agora encontrava-se neste campo e foi com honras de inauguração do primeiro-ministro com que ela foi colmatada. Metade do governo de Sócrates mais a inevitável sociedade lisboeta quis estar presente e ficar associada a este momento importantíssimo da vida cultural da capital.

E sem dúvida que sim, que uma cidade comsmopolita como Lisboa merecia já um museu de arte contemporânea de nível internacional, ainda que tenha partido da iniciativa de um empresário e da sua colecção privada. Que interessa? O que interessa é que esse museu passou a ser uma realidade e todos, como não poderia deixar de ser, quiseram tirar partido dele. Os socialites com o fim de aparecer em mais um evento a ser publicado na imprensa cor-de-rosa, os intelectuais a criticar a falta de uma instituição deste nível, os artistas a falar da importância de o país passar a ter agora um espaço que pudesse acolher obras de renome internacional e, claro está, os membros do governo, a fazer caso disto como se fosse obra sua.

Não chegasse esta postura indecente e sem-vergonha do primeiro-ministro mais a sua equipa, ainda se consegue cometer a indelicadeza, a ignorância e a prepotência de afirmar que, com o dito museu, o roteiro da arte contemporânea deixa de acabar em Madrid para começar em Lisboa. E afirma-o, deixando para canto, ignobilmente, a existência do Museu de Arte Contemporânea de Serralves - que fica na cidade do Porto e, que eu saiba, por enquanto, ainda fica em Portugal! - e toda a sua contribuição para a divulgação da arte em território nacional, trazendo ao Porto os nomes mais sonantes, tal como Paula Rego e Francis Bacon, para me limitar apenas aos que são de maior reconhecimento, e que bateram recordes de afluência sucessivos.

Como sempre, os governantes tenhem os horizontes muito limitados e todos sabemos onde esses horizontes acabam. A sua realidade é apenas a realidade da cidade que habitam e, diariamente, revelam desconhecer a realidade que abrange a totalidade do país. Como sempre, Lisboa é a cara de Portugal e o que chega lá chega a Portugal, mesmo que exista já noutro ponto do território. A ignorância que revelam nas matérias mais simples leva-nos a temer pelo pior quando falamos de assuntos mais delicados como a saúde e o (des)emprego. E quanto a isso, temos o que temos tido. Com o consentimento de todos, que nos deixamos governar por quem não nos conhece...

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Emílio Perez Tourinho em Entrevista ao JN



















A economia da Galiza cresce a um ritmo invejável. Emilio Pérez Touriño, o socialista que preside à Junta da Galiza desde 29 de Julho de 2005, explica, em entrevista ao JN, as razões da pujança. Fala das relações com o Norte e deixa um aviso mais atrasos no TGV serão catastróficos.

Jornal de Notícias|A Galiza está a crescer, há seis semestres seguidos, acima do resto da Espanha e mesmo da média europeia. Qual é o segredo do sucesso?

Emilio Pérez Touriño|Creio que existem vários elementos fundamentais. O primeiro é o clima de estabilidade e confiança. Propiciámos um marco de acordo e diálogo social. Essa foi a primeira tarefa que propus quando cheguei ao Governo. Convocámos os representantes dos empresários e todas as centrais sindicais e propusemos-lhes criar uma mesa estável e de diálogo social. Delineámos o objectivo de, em um ano, chegar a um acordo pela produtividade e o emprego da economia galega, com uma série de reformas e de medidas concertadas. Creio que esse clima foi alcançado.


E os outros dois factores?

O segundo elemento é que, nos últimos anos, a economia galega conheceu uma modernização infra- -estrutural significativa, no que toca à qualificação dos seus recursos humanos. Existem três universidades e há um nível de qualificação elevado. Eu dou um valor singular, no ranking da importância, à educação e à formação. E, em terceiro lugar, considero que se gerou um núcleo de potentes investidores, de líderes empresariais…Nos sectores automóvel, das pescas, agro-alimentar e de transformação de rochas ornamentais.


As exportações galegas estão a crescer 17 por cento. Este aumento é em valor ou em quantidade?

Essa é uma pergunta muito pertinente. Não estamos a só a crescer em quantidade. A componente das exportações que gera valor acrescentado está a ganhar muito peso. As exportações que incorporam valor acrescentado e uma componente média/alta do ponto de vista tecnológico são 25% do bolo total. E estamos a ganhar em produtividade. No último ano, a economia espanhola não teve crescimento de produtividade, mas a Galiza cresceu um por cento. Nos últimos dois anos criou-se 64 mil empregos. E estamos a reduzir a precariedade, que era um dos nossos maiores problemas. Crescíamos precarizando o trabalho - e isso não é bom socialmente, nem economicamente.


Que políticas está a seguir para conseguir manter este ritmo?

Os nossos motores de crescimento são a educação e a inovação. Há que vencer o desafio da produtividade da economia. Este é o objectivo central de toda a política económica. E não há outro remédio senão melhorar o capital humano e tecnológico. Quando tomei posse neste Governo planeei um crescimento de 20 por cento para a Educação em quatro anos. Praticamente, em dois anos, alcançámos esse objectivo. Estamos a qualificar a fundo os nossos recursos. O outro elemento fundamental é melhorar a nossa capacidade de investigação e de inovação. O de-senvolvimento tecnológico. Pusemos em marcha dois grandes planos, cada um dotado de 800 milhões de euros. Um tem a ver directamente com a investigação e inovação e o outro com o acesso à sociedade do conhecimento, a extensão da banda larga a toda a geografia galega. Estamos a criar instrumentos potentes e inovadores nesse sentido


Por exemplo?

Criámos uma fundação da chamada sociedade do conhecimento, a que presido, em que participam as nossas três universidades, as três entidades financeiras mais importantes da Galiza (Caixa Nova, Caixa Galicia e Banco Pastor) e as sete principais empresas da região. É uma parceria público/privada para lançar projectos. O primeiro, que acabámos de aprovar, é uma sociedade de investimento, em que estão as três principais financeiras e os principais empresários, que nasce com um fundo inicial de 100 milhões de euros destinado a seleccionar projectos de investimento que gerem alto valor acrescentado à nossa economia. Queremos projectos singulares que actuem como motores, como elementos dinamizadores..


O Governo participa?

O Governo vai retirar-se. Apenas lançámos a ideia, mas estamos fora da sociedade de investimento. No terreno das energias renováveis, da eficiência energética, temos um grande terreno para trabalhar. A Galiza está a apostar nas energias renováveis, nas eólicas, na energia solar, etc… Temos a pretensão de liderar em Espanha e ir mais além no ritmo e na potência, sobretudo na eólica, em que temos um ritmo de implantação forte. Os empresários acreditam que se pode lançar projectos rentáveis nessa matéria, que podem ser reduzidos custos e melhorada a produtividade. Estamos a ajudar na criação de "clusters", de agrupamentos empresariais. Estamos a trabalhar sobretudo no terreno da inovação, do conhecimento, do associativismo empresarial, a potenciar projectos para nos internacionalizarmos…


Consegue identificar a Galiza que existia quando chegou ao Governo e a de hoje?

Na fase anterior, a Galiza tentou competir com um modelo de salários baixos - tínhamos os mais baixos de Espanha -, de precarização e com uma competição por baixo. O mal é que, por baixo, o terreno está ocupado pelos países do Leste Europeu e asiáticos. Queremos substituir uma economia de subvenção (os empresários têm de ter vida por si próprios, não podem depender do financiamento e da subvenção indiscriminada da administração pública) por uma cultura de risco e de inovação. Acompanhamos, propomos, lançamos iniciativas, geramos contextos competitivos, mas não queremos estar a substituir a iniciativa privada, porque isso é pão para hoje e fome para amanhã.


Como um bom conhecedor do Norte de Portugal, o que é que acha que impediu a região de evoluir?

Quando olho para trás sinto-me um pouco surpreendido. Recordo que, há dez anos, era ao contrário. Nos anos 90, tinha a impressão de que os galegos olhavam o Norte de Portugal e para o Porto como uma referência emergente. As coisas evoluíram de forma díspar e talvez nós, nos finais da década de 90, tenhamos acelerado mais o passo e aproveitado oportunidades. Provavelmente a Região Norte foi um pouco mais lenta na sua evolução, mas creio que nada a impede de pensar num futuro optimista.


Em que medida a descentralização política podia ajudar o Norte?

A descentralização política, a autonomia, ajudou muito ao que o meu antecessor (Fraga Iribarne) chamava de auto-identificação do país, ao gerar forças próprias e estímulos endógenos. Mas não é o cem por cento da explicação. Tem também muito a ver com iniciativa empresarial. A autonomia foi um factor decisivo para gerar iniciativa empresarial, para lhe dar asas, para que voassem as iniciativas e para dotar a Galiza de equipamentos, de serviços, de estruturas, e para o crescimento das universidades. A excelência empresarial tem muito a ver com o âmbito autonómico. Mas, dito isto, também é verdade que a própria iniciativa empresarial, que umas vezes acerta e outras não, foi determinante.


Entende que, com a regionalização, Portugal poderia ser hoje um país diferente?

Diferente sem dúvida e, com a prudência extrema a que me obriga a minha responsabilidade institucional e o respeito que devo a um país amigo, ao seu Governo e às suas decisões, creio que esse é um caminho que vale a pena percorrer. A experiência espanhola foi extremamente positiva. Há uma leitura a fazer passado este tempo. Além de nos resolver um problema de diferenças culturais, linguísticas, políticas do Estado espanhol, a autonomia foi muito positiva do ponto de vista dos efeitos de descentralização política e económica. Ajudou a melhorar o ritmo, o andamento, a autoconfiança, a estabilidade, etc. E isso é quantificável em termos económicos. A regionalização é uma aposta que acompanho de perto com muita atenção e com muita vontade que resulte.


Entende que, com a regionalização, Portugal poderia ser hoje um país diferente?

A Galiza está ainda longe da média europeia e espanhola. Somos uma das comunidades com piores equipamentos. Temos uma taxa de desemprego de 8,5 por cento. Estamos a reduzir e pensamos que estamos no caminho certo, porque neste último ano, por cada dez pessoas que saíram do desemprego em Espanha, cinco eram galegas. Sonho que, num horizonte mais ou menos próximo - quatro, cinco anos -, a Galiza possa chegar ao pleno emprego.


Acha que o Norte de Portugal está a aproveitar devidamente esta pujança da economia galega?

Creio que estamos a avançar, através do trabalho conjunto entre a Junta da Galiza e a Comunidade de Trabalho Galiza-Norte de Portugal, para feitos que podem ser muito importantes e atractivos. No meio ambiente, a ideia que lançámos para a cooperação no tratamento conjunto das bacias hidrográficas do Minho, do Tâmega, e todo este conjunto de acções, como a exploração como reserva da bioesfera do Parque Nacional da Peneda-Gerês, o tratamento ambiental conjunto, o desenvolvimento sustentável transfronteiriço, o começar a fazer mestrados e pós-graduações nas universidades de um lado e do outro, é um caminho. Fechar as infra-estruturas, a rede de comunicações pelo litoral e pelo interior são projectos que podemos cumprir. O que mais me preocupa é que a iniciativa privada de um lado e de outro encontre acções de cooperação.


Os empresários do Norte de Portugal têm aproveitado um espaço de oportunidade?

Temos que insistir e continuar a trabalhar nessa direcção. Creio que há caminho e muito mais território para fazer coisas juntos. Temos que aproveitar isso. É impensável que trabalhemos separadamente.


Imagine que era presidente de uma Região Norte de Portugal. O que diria aos empresários para fazer?

Desde logo para trabalharem juntos. Esta fundação para a sociedade do conhecimento, inovação e desenvolvimento tecnológico poderia ser uma plataforma conjunta. Poderíamos perfeitamente criar instrumentos conjuntos para ser mais competitivos, para captar fundos europeus, para apresentar projectos de maior dimensão em Bruxelas e, por que não?, programar e tornar as nossas infra-estruturas complementares. Não vejo nenhuma razão, além dos interesses locais, para que possamos pensar que, por exemplo, o aeroporto do Porto não seja uma plataforma aeroportuária que me convenha a mim na Galiza. Não quero dizer que isso retire capacidade aos meus aeroportos. Para os cidadãos e empresários galegos, ter uma plataforma potente para viajar ao outro lado do Atlântico, para os tráfegos de longo percurso, sem ter de ir a Madrid, provavelmente será uma solução. Convém-nos e vice-versa. O porto de Vigo pode ajudar a jogar mais forte, sem que isso seja um elemento negativo, mas antes complementar do porto de Leixões.


Ainda há um caminho grande a percorrer para chegar à plena integração da euro-região?


É um processo inacabado. Teremos de continuar a dar passos. Agora temos a ideia de criar uma segunda geração de cooperação transfronteiriça, em que, em vez de estarem uns cá e outros lá e só nos vermos de vez em quando, haja um espaço partilhado e membros de ambas as partes que nessa sede sigam os projectos e os impulsionem.


Que pensa da ideia que se gerou há já alguns anos de que há uma invasão espanhola sobre a economia portuguesa?

Isso preocupa-me, porque a desconfiança gera incerteza, retrai e cria debilidade. O melhor que podemos desejar mutuamente é ser fortes, e ser fortes juntos. Seria bom que ajudássemos a superar essa ideia. Fazer um trabalho conjunto de criação de opinião, porque acho que seria mau para os dois países criar barreiras, que existiram, por certo, há algum tempo atrás e que hoje não deveriam existir.


Como é que vê o fenómeno da invasão de trabalhadores portugueses na Galiza?

É certo que há uma grande afluência de portugueses a trabalhar na Galiza e consta-me que o estão a fazer muito bem. São bons trabalhadores, é gente tão boa como a nossa.


Os trabalhadores portugueses que vêm para a Galiza são genericamente de baixa qualificação.

Há que inverter essa realidade. Mas são realidades de mercado que obedecem a uma lógica - e a lógica é que há uma procura de trabalho menos qualificado. A Galiza foi sempre um país de emigração, e não há muitos anos a nossa gente sem qualificação tinha que ir trabalhar para França ou para Madrid e Barcelona. Este movimento interno tem quinze, vinte anos - e agora está a acontecer connosco e com o Norte de Portugal. Isso mudou, reverteu- -se, já não ocorre isso. O que estamos a tratar na euro-região é que o movimento se dê ao nível da cooperação científica, técnica, dos jovens estudantes universitários. Sucedeu-nos isto no sentido contrário. Foi muito pontual mas aconteceu. Foi-se embora muita gente formada. Oitocentos (cito de memória) médicos, enfermeiros e gente qualificada a nível sanitário que encontraram trabalho em Portugal. Nada é estático. O que temos de fazer, portanto, é igualar a qualificação das ofertas para que os fluxos sejam mais idênticos e simétricos.


Na conferência do JN, no Porto, voltou a defender a urgência de se construir uma linha ferroviária de alta velocidade entre o Porto eVigo. Teme novos atrasos por parte de Portugal na concretização do projecto?

Francamente, a partir de uma visão integrada e conjunta da euro-região, a que presido na Comunidade de Trabalho Galiza -Norte de Portugal, e agora falo como presidente dessa comunidade, esse é um projecto estratégico, o mais estratégico e o mais importante que temos entre mãos. Se quantificarmos os benefícios, em relação aos custos, que nos trouxe a conclusão da conexão das duas regiões em auto-estrada, começamos a ver a luz do quão importante será para a Inovação, para o Norte de Portugal e para a Galiza, articular e encerrar uma conexão em alta velocidade. Creio que marcará um antes e um depois no crescimento económico, na capacidade de crescer juntos e na aproximação entre os dois povos. É determinante. Os efeitos do TGV são espectaculares e intensos nos locais onde foi construído. Não podemos permitir nenhum atraso. O horizonte de 2013 acordado pelos dois governos, pelo primeiro-ministro de Portugal e pelo presidente espanhol, na última cimeira, deve ser tomado como inamovível. Espero e confio que trabalhemos com intensidade nessa direcção, desde logo na medida das nossas possibilidades. Da minha parte porei toda a "carne no assador" para que assim seja, e sei que pelo lado espanhol há todo o interesse em cumprir esse prazo.


Parece-lhe que seria catastrófico para as relações entre as duas regiões se houvesse atrasos?

Submeter isto à incerteza, creio que já seria mau agora. A mim, os empresários com os que me toca estar continuamente no mundo empresarial, não só os galegos mas os de fora também, perguntam-me sempre pela rede (de alta velocidade) e sobre quando vai estar pronta. Que eles saibam que em 2012 vamos ter a rede de cidades da Galiza conectada com Madrid e em 2013 com Portugal, é um dado muito importante para que invistam. Os empresários que estão a vir para aqui imaginam a região nessa perspectiva. Portanto, essa visão é gravemente prejudicial. E não está a prejudicar para depois, está a prejudicar agora, porque gera incerteza permanente. Debater permanentemente e não encerrar os temas é um elemento deficitário para a nossa economia.

Como é o homem Emilio Pérez Touriño na vida privada?

Já quase não me lembro como sou na vida privada. Resta-me já muito pouco dessa parte. Vejam que me estão a entrevistar na minha residência oficial, que se encontra a 50 metros da minha residência privada. Vivo rodeado de segurança e de todas essas coisas. Sou um homem de Universidade, sou professor universitário, comecei a minha vida pública contra a ditadura nos anos 68, 70 e sempre misturei a minha vida como professor com a actividade pública e política. Nunca a distingui desde jovem. Creio que continuo a ser mais ou menos igual. Evidentemente, agora com um nível de responsabilidade que não tem nada a ver com nenhum dos anteriores. Tento manter a minha vida familiar, estar perto da minha gente. Estou casado com o minha mulher de sempre, tenho um neto que adoro, que vive longe, em Madrid, o que me causa desgosto porque o vejo muito pouco.


Que tipo de música ouve?

O último concerto que vi foi um dos Maná. Mas sou mais de música dos anos 60, desde Bob Dylan a Bruce Springsteen. São as minhas referências.


Qual é o seu clube de futebol?

Agora apanharam-me, porque estou dividido entre o Celta, que este ano foi para a segunda (divisão do campeonato espanhol) e o Deportivo da Coruña. Costumo dizer, por piada, que noutra vida era do Real Madrid.


Se não vivesse na Galiza onde gostaria de viver?

Vivi muitos anos em Madrid. Uma boa parte da minha vida aconteceu lá. Foram dez anos no Governo de Felipe González a fazer infraestruturas. Foram tempos muito felizes para mim. Mas há muitas cidades. Barcelona também me encanta.

Do que é que gosta mais em Portugal?

Os portugueses. A gente é fantástica.


E do que gosta menos?

Quase nada. A verdade é que me sinto em casa. Quase não dou conta quando entro em Portugal, sinto-me em casa. Sempre tive uma grande admiração por tudo. Lisboa é uma cidade que me encanta e o mesmo se passa com os meus filhos. Com muita facilidade os meus filhos, quando têm um fim-de-semana, escapam-se para passear por Lisboa. É uma cidade com um encanto especial. Mas que os do Porto não saibam disto. O Porto é mais como estar em casa.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

São Jorge e a Coca



















Amanhã, dia de Corpus Christi, tem lugar a tradicional festa da Coca, em Monção, onde esta se debate com o lendário S. Jorge. Assim, e depois da procissão, a multidão dirige-se para o Campo do Souto, onde terá lugar o combate. Os dois defrontam-se e o resultado desse combate ditará os resultados das colheitas e da produção do alvarinho. No tradicional embate entre o Bem e o Mal, não é difícil adivinhar tal resultado, mediante o vencedor. A Coca é dirigida por sete pessoas e a sua boca é mecânica, bem como a sua língua. Os movimentos desta influenciarão as atitudes do cavalo, que poderá ditar a sorte do combate. Se São Jorge acertar da língua e nas orelhas da Coca, sai vencedor.

O povo tem grande devoção à Coca, chamando-a de Santa Coca, Coca Rabixa ou Diacho da Coca. "Por via da Santa Coca rabixa/perdi o diacho da Missa", diz o povo. A coca é um ícone popular tradicional das terras da Galécia. Surge na imaginação popular, passando na tradição oral, sob a forma de contos e lendas. Muitas destas lendas falam da Coca como devoradora de donzelas e de princesas, que são salvas das garras do dragão pelo valente príncipe. Faz parte do imaginário popular europeu e está bem implantada nas lendas galegas.

Reza a lenda que S. Jorge, acudindo ao apelo de uma jovem princesa, filha do rei da Líbia, mata com uma lança o dragão que a queria devorar. S. Jorge é um santo de grande devoção na Galécia e a sua fama chegou ao ponto de uma das primeiras bandeiras do Reino da Galécia fosse a bandeira com a cruz deste santo. Tal como a inglesa, era de fundo branco, com uma cruz vermelha centrada.

Inserida na Procissão do Corpo de Deus, o evento dá o seu ar de paganismo a uma data marcadamente cristã. Como é apanágio, aliás, em muitos eventos de carácter fortemente cristão, que mais não são que adaptações feitas pela igreja de eventos dos povos celtas - e outros - que habitavam o império. É assim como o Dia de Todos-os-Santos, que corresponde ao Samhain, festividade celta do primeiro dia de Novembro onde as almas eram autorizadas a vir a este mundo e a conviver com os seus familiares. De almas para santos foi um passo. Santos, que é coisa que não falta no calendário da Igreja Católica. Para substituir os deuses dos povos conquistados, foram criados santos com poderes semelhantes, a fim de a população se converter mais facilmente ao cristianismo. Numa religião monoteísta, estranha haver um santinho para cada situação...

Importa ressalvar a tradição enraízada desta festa, de características marcadamente medievais. É parte integrante da nossa cultura galaica e tem paralelo nas festividades da Redondela, na Galiza Norte. São símbolo do nosso passado e ajudam-nos não só a compreender aquilo que fomos, mas também a encontrar a nossa identidade e sentirmo-nos parte integrante de algo com que nos identificamos. E sabemos como isso é importante nesta época de globalização onde todos somos anónimos e tendemos a ser mais número que indivíduo.

terça-feira, 5 de junho de 2007

A Imprensa e o seu Papel




















De há uns tempos para cá o Jornal de Notícias (JN) tem assumido um papel activo no processo da regionalização. Foi mesmo o primeiro órgão de comunicação social a lançar e a promover o debate, de uma forma regular e por forma a que o assunto não caia no esquecimento. As suas análises à economia da região Norte e a comparação dela com outras regiões do país e com a irmã Galiza lançaram o alerta para a situação preocupante em que nos encontramos actualmente. As suas entrevistas a figuras públicas e com voz na região contribuiram não só para a continuidade do alerta dado, mas também para promover eventuais líderes e dirigentes que poderão assumit um papel preponderante no futuro da região. Ao entrevistá-los está também a tentar extrair dessas personalidades uma que reúna o consenso e que possa vir a ser o líder desta região.


Entrando nesta linha de comunicação, o JN assumiu o seu papel de voz discordante e colocou-se do lado dos defensores da regionalização e dos que acreditam que esta é um passo fundamental para a recuperação económica da região. No imprensa actual, a um nível global, os jornais tendem a defender determinadas causas, consoante a sua tendência política ou a região do país que se encontram. E fazem-no de uma forma assumida, deliberada e com o intuito de lançar o debate para que a sua causa se sinta apoiada. Em Portugal havia esta lacuna no jornalismo. Os jornais falam muito acerca do governo e dos problemas nacionais com foco na capital, relegando para terceiro plano os problemas do país profundo. E os jornais regionais não tenhem a capacidade nem a expressão necessária junto da população para lançar o alerta de uma forma eficaz.

O JN veio, desta forma, preencher esta lacuna existente e exercer a prática de um jornalismo saudável, defensor dos direitos das populações e que asume uma voz de discórdia perante o panorama de crise nacional. O debate organizado no Palácio da Bolsa, no passado sábado, em que intervieram as vozes mais sonantes da região Norte e mesmo o presidente da Junta da Galiza foi um enorme passo para que o tema regionalização entre nas conversas diárias das pessoas e para que estas tenham a verdadeira noção da sua importância para o seu futuro, sem as desinformações e manipulações de informação levadas a cabo pelos centralistas. Louvemos pois o JN por esta sua atitude!

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Norte e Galiza Querem Megacluster Têxtil
















A Associação Têxtil e Vestuário de Portugal e a Associaçom de Industrias de Ponto e Confecçom da Galiza assinam hoje, em Vigo, um protocolo de cooperação que fomente o intercâmbio de estilistas e de acções de promoção de moda, nas duas beiras do Minho. Com estas medidas pretende-se adquirir um maior protagonismo internacional, através da união de esforços. Esta acção visa, também ela, aceder a fundos comunitários voltados para projectos fronteiriços.

Mais um ponto em comum que encontramos numa Euro-região que precisou da Europa para se reencontrar a si própria. Depois da cooperação ao nível da gestão de portos e aeroportos e da gestão comum do Parque Natural do Gerês, eis que a cooperação chega a um dos sectores mais tradicionais da indústria das duas Galizas. Não esquecendo os demais intercâmbios entre as indústrias e os acordos ao nível municipal e mesmo entre empresas, os esforços a que assistimos são mais significativos a este nível do que os feitos internamente, sendo dignos de uma qualquer estratégia de afirmação de um país.

Contribui-se assim, passo a passo, para uma sintonia de percursos e de ideias que faz prever um futuro comum. A aproximação entre as duas é cada vez maior a todos os níveis. A ironia da História aproxima-as. Elas que durante séculos foram uma, acabam por fazer a sua aproximação motivadas por uma Europa que atenua o conceito de nações. Desconheciam os ideólogos que iriam surgir sentimentos das velhas nações, ofuscadas pela sua integração noutros países. E a estratégia europeia de incentivação da cooperação entre as regiões fronteiriças cai que nem uma luva a este noroeste peninsular.

À falta de um apoio decente por parte do estado português, a sua região norte encontra na sua velha irmã o aliado ideal para se erguer e seguir caminho. O entendimento entre o norte de Portugal e a Galiza é claro. Querem os dois caminhar na mesma direcção. Conquistar mercados, riquezas, mundos. Divulgar o melhor que ambas produzem. Querem, juntas, triunfar e sair da sombra em que se encontram.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Entrevista a José Marques dos Santos, Reitor da UP










Jornal de Notícias | Tem assumido um discurso pró-região. Afinal, como chegou o Norte a este declínio? Como perdeu a sua força reivindicativa?

José Marques dos Santos | O que terá acontecido foi que o Norte não soube criar as condições para fixar emprego de grande qualidade nos vários sectores. Todo esse emprego foi para Lisboa, para outros locais ou para fora do país, o que significa que não conseguimos fixar pessoas de elevada qualidade, que contribuam para o progresso da região.


É uma culpa partilhada pela região e pelo Estado?

Claro que sim, é de toda a gente. Os empresários e os artistas vão todos para Lisboa. Às vezes, interrogo-me se estão à espera de algum deus que venha criar as condições na região. Cada um de nós tem de se sacrificar um pouco para criar as condições necessárias. Se quem é capaz e pode contribuir abalar daqui para fora, isto nunca crescerá. E seria interessante que os que daqui saíram, a diáspora da região, regressassem. Talvez seja ingenuidade? Se é, então desistimos, ficamos com um país macrocéfalo que tem apenas um grande centro em Lisboa e deixamos de nos queixar.


A atitude deve mudar?

Temos de ser nós próprios a resolver os problemas e não apontar os outros como causas. Temos de deixar este discurso de lamúria e ser mais positivos.


Os políticos também saem e esquecem a região?

Se calhar, também. Políticos, banqueiros, industriais e artistas... Todos desaparecem.


Não é preciso criar condições para que regressem?

Eles próprios também têm de regressar para criar condições. Se os mais capazes não contribuem, quem as criará? O poder central? O poder local delapidado dos seus melhores valores? Assim é difícil.


Tem insistido numa maior cooperação a todos os níveis.

Claro, é fundamental. Falemos de coopetição, o novo calão que associa competição e cooperação. As empresas e as instituições têm de saber competir e também cooperar naquilo onde apenas juntas conseguem criar massa crítica e valor acrescentado.


Por que é tão difícil essa cooperação?

Não sei. É intrínseco. Será por sermos demasiado individualistas ou divididos. Na freguesia onde moro, há três ou quatro clubes e cada um nasceu por cisão. Não há infra-estruturas desportivas na freguesia porque ninguém se entende. Cada um prefere ser o dono de uma coisa pequenina do que partilhar a capacidade de poder e liderança para algo melhor.


Cada um prefere mandar na quintinha em vez de se juntar em torno de uma quinta maior, como diz. Não há capacidade para aceitar com humildade uma liderança?

Obviamente. Não consigo perceber uma instituição ou uma região que vá para a frente sem uma liderança.


Por que falta liderança à região? É dividir para reinar?

Falta talvez uma estrutura política, uma região, algo que nos junte, que tenha poder interventivo e legitimidade para se impor. Se se construir uma equipa com cinco ou seis pessoas e não se nomear um líder, ela rapidamente se desmorona porque o primeiro que avançar é acusado pelos outros de querer protagonismo. Por isso ninguém faz nada, tem tudo receio de avançar.


Deve ter um líder ou mais?

Não acredito em lideranças duplas e triplas. Isso não conduz a bons resultados. E deve haver continuidade. O que acontece, quase sempre, é que quem está à frente dos órgãos está por tempos limitados. Quando as coisas estão a chegar a um ponto razoável, vão embora e volta tudo a zero.


Usando uma sua expressão, quando não há um maestro, cada um acaba por tocar para o seu lado?

E há muitos que tocam bem, mas não conseguem fazer tocar uma orquestra.


Quem poderia ser o maestro da região?

Tem de ser alguém com intervenção política forte. Um político. Alguém que esteja num órgão que seja depois reconhecido e aceite por todos. E que, pela sua capacidade, se imponha aos outros. Se for um medíocre não se impõe.


Há quem atribua esse papel à CCDRN, mas falta-lhe legitimidade democrática.

Pois, dizem que não tem legitimidade e não é eleita. Se calhar sou ingénuo politicamente, mas faz-me confusão, tendo nós uma certa organização administrativa, não ser possível ter uma capacidade de intervenção adequada e impor-se essa liderança. Isso dirá um pouco mal da democracia. Então estamos aqui todos não para construir algo mas cada um está no seu lugar para defender a sua dama. Cada líder local, numa universidade ou numa câmara, deve ter uma visão superior. Temos que pensar se estamos a contribuir para o progresso geral. Cada um tem que pensar para além de si próprio e, quer se queira quer não, tudo que é eleito preocupa-se consigo próprio na perspectiva de outra eleição.


Enquanto não há regionalização, a Junta Metropolitana do Porto pode fazer, parcialmente, esse papel?

Se calhar podia e devia. E penso que tem vindo a fazê-lo.


O que retira da polémica negociação em torno do metro?

Cada um defende só os seus interesses e preocupa-se pouco com interesses cruzados. O líder daquela estrutura devia ser alguém acima de cada entidade.


Concorda, então, com o regime proposto pelo Governo para as áreas metropolitanas, com um executivo sem presidentes de câmara?

Isso vem de encontro ao que estou a afirmar. Porque se for um dos presidentes de Câmara, é logo acusado de defender os seus interesses. É a tal independência que deve existir. Este país construíu-se muito à base da cunha, do pedido, com cada um a procurar resolver o seu problema, e sem saber se ao fazer esse pedido está a prejudicar um todo mais alargado. Se houvesse uma junta regional, ou algo do género, teria de ser alguém acima das câmaras.


Mostrou-se favorável à regionalização mas questionou a capacidade dos nortenhos de se entenderem para fazer tal reforma.

Esta é a minha visão.


A questão é mesmo de falta de liderança?

Penso que sim, por mais que me digam o contrário. A Madeira e o Algarve têm líderes, quer se goste ou não deles. E Lisboa tem o próprio Governo. O Norte e o Centro não têm e veja como estão. Falta capacidade de juntar as pessoas em torno de um projecto.


Não basta estar de mão estendida, é isso?

A liderança serve para definir estratégias que envolvam todos os agentes e pô-las em acção. Quando o dinheiro vem para a região, esta já poderia dizer "quero para isto e para aquilo". E não ter que estar a submeter projecto a projecto. Falamos já de uma estratégia da própria região.


Tal estratégia regional não tem que partir do Governo?

Penso que não é necessário. Se sabemos o que queremos e nos conseguimos entender, ninguém tem de decidir por nós. Claro que a estratégia da região tem de estar sempre em consonância com a do país.

Regiões sem referendo

Enquanto adepto da regionalização, defende um novo referendo?

Por natureza, sou contrário ao recurso à figura do referendo por tudo e por nada. Temos uma democracia participativa. Elegemos deputados para nos representarem e eles devem estar muito melhor informados. É verdade que, muitas vezes, estão sujeitos a disciplinas partidárias que influenciam as decisões. Tem que haver coragem dos partidos de se entenderem e encontrar uma solução constitucional.


Seria difícil, até pela resistência do líder do PSD?

Sim, mas houve tantas mudanças desde o último referendo. O presidente da Câmara do Porto, que não era regionalista, hoje defende a regionalização. Já tem a experiência que lhe permita ver as dificuldades

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Municipais Galiza 07














Estranho o pouco destaque dado às eleições municipais na Galiza. O que se fala é inserido num contexto global de municipais espanholas, não havendo uma análise pormenorizada nesta região que tanto tem em comum com o norte de Portugal, mas também com o país no seu todo. A Galiza é uma região com afinidades vincadas connosco e o tratamento de distância com que os seus assuntos são abordados provoca-me uma sensação de estranheza. Premeditação? Incómodo pelo facto de a Galiza, estando sob alçada espanhola, ter mais afinidades com Portugal do que com Espanha? Respeito pela soberana unidade espanhola? Ou um tema tabu que convém não ser tratado por forma a não levantar mais polémicas sobre - a já de si polémica - artificial nação imposta por Castela?

O que é certo é que não podemos mais fechar os olhos e continuar a negar uma realidade que é evidente. As afindidades que temos com a Galiza não podem ser deixadas para segundo plano em favor da pretenção de Espanha em manter intactas as suas fronteiras e a sua afirmação sobre as nações que a constituem. Os problemas que a Espanha tem, tem que ser a Espanha a resolver. Não podemos é fazer de conta que não existe uma região a norte que fala a nossa língua, tem os mesmo costumes e que por sinal é a base da nossa própria identidade. Essa região luta por se afirmar dentro do reino espanhol e procura volta-se definitivamente a sul em buscas de referências que possam recuperar partes da sua identidade esquecida por anos de colonialismo. Assume os seus erros históricos, nomeadamente quando a sua nobreza e os seus líderes optaram por um espanholismo, que lhes veio a sair caro, em detrimento da sua evidente ligação com Portugal. E nós o que fazemos? Fazemos de conta. Fazemos de conta que não existe. Fazemos de conta que não é da nossa conta.

Há claramente um evitar mencionar-se o assunto com a intenção de não ferir susceptibilidades. Por outro lado há também um esquecimento conveniente da nossa ligação anecestral. Afinal somos um país com 800 anos de história! Como vamos nós explicar às pessoas que temos os do Norte mais em comum com o vizinho de cima - que até habla español e tudo - do que com o vizinho de baixo?

Burela e Guimarães















A já curta distância entre Burela e Guimarães fica agora mais curta. Através das escolas IES "Perdouro" e da secundária Martins Sarmento foi criado um blog que permite aos alunos destas duas instituições estarem mais próximos entre si e partilhar as suas ideias sobre racismo, xenofobia e tolerância. O blog chama-se, por isso, Juntos pela Diversidade e tem como objectivo unir os dois lados da raia através da temática da luta pelos direitos humanos e da promoção da diversidade cultural.

Esta inciativa tem como coordenadores o prof. Bernardo Penadabe (professor de Língua Portuguesa) e a professora Fátima Aguiar (professora de História), docentes da IES e da ES Martins Sarmento, respectivamente.

É uma iniciativa de louvar e que poderá servir de rampa de lançamento para outros projectos semelhantes que possam aproximar mais as localidades do norte e do sul da Galiza, tão distantes que parecem estar entre si pela força de fronteiras imaginárias. E pelos preconceitos que, por causa delas, se criaram fazendo a separação entre iguais, atraídos por pólos de outras paragens.

Curioso esta iniciativa ser gerida por dois professores que leccionam disciplinas que facilmente explicam a proximidade que existe: Língua Portuguesa e História. A língua, que nos une e que querem a todo o custo diferenciar, e a História, dos homens e dos povos, que explica o porquê das coisas. Lástima é que possa, esta última, servir de justificação a outras causas, através da manipulação dos factos.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Um Concenso Inconcensual



















É notícia de hoje a confirmação do início das condicionantes impostas pelo governo relativamente ao processo Regionalização. Muito se adapta o governo conforme os temas em discussão! Se nuns casos (Aeroporto da Ota) o concenso é algo que apenas vai atrapalhar os interesses do governo no que diz respeito a esta matéria, noutros o concenso é uma condição para que o processo avance. Concenso é preciso por um lado, enquanto que por outro o que manda é o avanço do país. Ou de uma parte dele.

Será então preciso que haja concenso entre as partes interessadas para que o processo da regionalização seja levado avante. E é colocado imediatamente de parte uma resolução rápida para o processo, descartada que foi pelo primeiro-ministro a hipótese de o referendo se realizar antes de 2009. Ou - quem sabe? - (nem) na próxima legislatura. E ainda assim, será necessário haver um concenso.

De uma assentada, e após um silêncio prolongado sobre o assunto, o primeiro-ministro arrefece os entusiastas da Regionalização e começa a colocar os primeiros entraves. E colocar entraves à regionalização do país é colocar entraves ao desenvolvimento económico dele. Porque um país nunca poderá funcionar apenas tendo como referência a sua capital, enquanto o resto do país (a sua maior parte) tenta sobreviver diariamente com o pouco que tem - para não falar na privação das necessidades básicas que diariamente lhe são impostas.

Temos portanto um país a duas velocidades e com duas políticas. Uma região (Lisboa e Vale do Tejo) a uma velocidade embalada pela frescura económica proporcionada por uma política centralista do governo - que lhe proporciona vantagens na competitividade interna; e o resto do país a uma velocidade de caracol, tentando desesperadamente encontrar meios e soluções para sair do marasmo em que se encontra e combater o desinteresse do governo pelos seus problemas. E, por outro lado, uma política proteccionista para com a capital, desburocratizando - e passando mesmo por cima de pareceres técnicos e algumas leis - tudo quanto seja possível para que o desenvolvimento desta acompanhe o ritmo das suas congéneres europeias - enquanto que para o resto do país há a maior burocratização possível de todos os processos (e uma necessidade de concenso), impedindo-o de crescer ao ritmo frenético da sua capital.

A isto chama-se ter dois pesos e duas medidas. A serem usados da forma que mais lhes convém. Enquanto o resto do país luta para sair das dificuldades que atravessa. Não adianta anunciar um crescimento de 2, tal % do país quando esse crescimento não corresponde à realidade de todo o terrritório nacional. Não é correcto anunciar a queda do desemprego quando ele aumenta na região que fora o motor económico do país. O que adianta é ser objectivo e olhar de frente para os problemas sem estar a pensar noutro tipo de interesses

terça-feira, 15 de maio de 2007

O Turismo Perde o Norte














A notícia de que a Região Norte ficara de fora dos investimentos levados a cabo polo governo normalmente caíria como uma bomba. Não falo só na primeira pessoa, mas alargo a minha incredulidade à maioria dos habitantes da região. Mas não! Não, não é surpresa alguma esta exclusão, como não foram as anteriores decisões governamentais prejudiciais à região. É apenas o seguimento de uma política castrante, abusadora e tendenciosa que temos vindo a assistir e que tomou dimensões gigantescas, assumindo de vez o descaramento e perdendo a vergonha.

Se em tempos estas medidas eram tomadas intencionalmente mas com a preocupação de não causar alarmismos e descontentamento - sendo acompanhadas de justificações injustificáveis, estudos encomendados ou um qualquer regalo do género "toma lá e tá calado!" - nestes últimos anos passaram apenas a medidas normais e esperadas, sem qualquer preocupação e receio por parte de quem as toma. E porquê? Porque sabem que não há nada que os visados possam fazer, uma vez que estão montados os mecanismos necessários para que este tipo de política possa ser exercida, favorecendo atitudes destas. O sistema centralista está tão bem montado e guarnecido - e suportado por bases políticas, quais bases militares, por todo o país, intensificando-as nos pontos mais estratégicos - que quaisquer vozes de contestação contra ele os abafa automaticamente. É fácil de perceber: os centralsitas são os que mandam. Qualquer coisa que ponha perigo a sua política é aniquilado, porque não interessa.

Dos 100 milhões de euros previstos para o investimento no turismo, zero venhem para a região. As atribuídas são - admiremo-nos! - o Algarve, Lisboa e Vale do Tejo e a Região Oeste. Que a nível de regiões não é região alguma mas apenas uma parte da Região Lisboa e Vale do Tejo. O descaramento atinje cada vez mais dimensões de ultraje. Mas dificilmente algo o pode impedir. Os governantes sabem-no. E por isso não se importam com o descaramento. Para além do epíteto atribuído ao Norte - praticamente sinónimo de contestação, a inserir nos próximos dicionários - existe um marasmo a nível de figuras públicas e políticas. Há um consenso entre estas que assume a discriminação, o esquecimento e a intencionalidade em muitas decisões tomadas em relação à região. Mas poucos ou mesmo nenhuma tem a força de outrora. Ou se tenhem, a comunicação social não faz caso delas e as reclamações feitas não passam das fronteiras regionais e surtem efeitos apenas internos. E os governantes sabem disto também e daí o descaramento das decisões ser maior e mais frequente.

Uma das soluções para a resolução desta questão política de opressão de uma região passa pela regionalização do país. Mas não tenhamos dúvidas! Se já assim se assiste a um desgaste total e sub-aproveitamento de uma região em favor do desenvolvimento de outras, o que nos espera nos tempos que antecederem à regionalização serão piores ainda. Ao ter consciência que o bolo vai fugir, a pressão aspirante da política centralizadora vai fazer-se sentir mais ainda e espremer até ao último momento o que puder espremer.

sábado, 12 de maio de 2007

Cultura Castreja a Património Cultural Europeu














A Galiza e o norte de Portugal, mais as Astúrias fazem esforços para que a cultura castreja seja considerada Património Europeu da Cultura. A área é de elevado interesse para o nosso património cultural e espiritual, pois representa os primórdios da cultura galega, que remontam ao primeiro milénio antes de Cristo. Era uma cultura uniforme, de cultura celta e que se estendia pelas áreas desde o sul do Douro até às Astúrias. Na região galega de Portugal, encontram-se os castros de proporções maiores (já no tempo dos romanos) e que atingiram a categoria de citânia (pequena cidade). São disso exemplo a Citânia de Briteiros (em Guimarães) e a Citânia de Sanfins (em Paços de Ferreira). Muitos outros castros, de variadas dimensões podem ainda hoje encontrar-se na nossa região. A concentração mais elevada encontramo-la na zona litoral, entre o Douro e o Minho.

Os castros surgiram no primeiro milénio antes da nossa era e formavam uma cultura uniforme que caracterizava o noroeste peninsular. Com a chegada do invasor romano, houve a tentativa por parte destes de fazer com que os celtas descessem dos cabeços do monte para habitar as novas cidades estrategicamente construídas, no sentido de incrementar a economia e facilitar o processo de aculturação.

As mudanças não foram muitas. A principal foi a fala. As tribos abandonaram o seu linguajar celta e começaram a falar latim. Ao nível espiritual, os deuses celtas continuaram a ser alvo de culto, embora também se encontrem registros de cultos a deuses romanos, muitos deles em simultâneo com deuses locais. A mentalidade guerreira e as actividades económicas e artísticas preservaram-se. Neste período inicial de domínio romano a cultura castreja chegou mesmo a propserar e os castros apenas começaram a ser abandonados por volta do século primeiro da nossa era. Em muitos sítios as pessoas fazem ainda romarias em datas festivas às "aldeias velhas" da nossa terra. Talvez em sinal de reconhecimento...

Urge portanto preservar este legado herdado dos nossos antepassados e respeita-lo pela forma mais merecida, preservando-os e fazendo deles o símbolo nacional que são. Alguns deles encontram-se em óptimo estado. Outros vão sobrevivendo. Muitos viram as suas pedras de granito serem aproveitadas pelas povoações que se lhes seguiram para edificar novos edifícios ou calcetar ruas.

Lástima que tenhamos que contar com o "empenho" do governo nacional para a pressão que se exige dura e persistente em prol da valorização que o nosso legado merece. Um governo local faria com toda a certeza uma gestão mais cuidada e dava-lhe um outro valor.


http://www.lavozdeasturias.es/noticias/noticia.asp?pkid=340065?name=News&file=article&sid=3429/

Domínio ".gal" apoiado pelo Eixo-Atlântico




















A vontade de haver um domínio que represente a cultura galega já vem de há algum tempo e move personalidades e entidades dos mais variados sectores. Esforços unem-se no sentido de obter junto das entidades responsáveis e reguladores dos domínios de internet uma autorização para a aprovação dum domínio galego.

O sucesso obtido com o domínio catalão .cat animou mais ainda os defensores desta causa. Este é um dos poucos domínios da internet a representar uma nação e a sua cultura dentro de um país. Após a sua criação milhares de páginas floresceram tendo por domínio a designação catalã.

O entusiasmo é agora maior e pressionam-se ainda mais as entidades na aprovação do domínio. Um movimento semelhante, defensor da mesma causa mas que pretendia a aprovação do domínio .gz abdicou em favor da Ponto.Gal.

Agora surge a notícia de que o Eixo-atlântico adere ao movimento. Com as suas dezoito cidades, nove de cada lado da raia. Sem dúvida que é um passo enorme para a boa conclusão do processo e para o concretizar da existência de um domínio de internet que represente a cultura galega. E, para as cidades do norte de Portugal, um passo importante na afirmação da sua galeguidade.


http://http://www.vieiros.com/nova/58123/todas-as-cidades-do-norte-de-portugal-e-galiza-sumanse-a-puntogal?name=News&file=article&sid=3429/

terça-feira, 8 de maio de 2007

União, de facto!

E se o Norte de Portugal e a Galiza se casassem? O que teríamos? Muito provavelmente dar-se-ia um casamento consaguíneo e ao final de alguns episódios descobriríamos que afinal haviam-se casado duas irmãs. As duas Galizas, separadas em tempos idos. Que se separaram por obra do acaso e vontade gananciosa dos homens. Ao fim de uns anos reencontram-se. Descobrem um sem número de coisas e comum. Falam a mesma língua, pensam de maneira igual, descobrem-se. Apaixonam-se! Qual dois namorados extasiados pelo encontro da sua alma gémea, não suspeitam das semelhanças mais que evidentes. Fazem planos para o futuro e alicerçam a sua relação. O destino? Só o futuro o dirá...

Esta poderia ser a continuação poética da pergunta deixada no ar por Jorge Laiginhas. Poética, mas no entanto real. É normal a atracção mútua que ambas as Galizas (Comunidade Autónoma da Galiza e Norte de Portugal) sentem entre si. É o desejo de tornarem a unir-se e decidir por si o seu caminho. Viver junto em casa dos pais e viver junto numa casa oferecida pelos pais é completamente diferente. É precisamente neste segundo caso que ambos tenhem de se inserir. Esquecer o passado traumático proporcionado pela relação agudizante com os pais e aproveitar a casa que ambos lhe disponibilizam.

Os motivos que hoje fazem com que ambos se atraiam são mais do factor económico. Porque sabem que, juntos, poderão superar as dificuldades e enfrentar com optimismo o futuro vindoiro. Cientes das suas necessidades e conhecedores da sua realidade, quem melhor que eles, juntos, para definir o melhor para si? Com o potencial de 6 milhões de habitantes, com uma cultura, uma mentalidade e uma língua comum... Seria um desperdício e muita falta de visão estratégica não tirar partido disto.

União de facto?

Apresento um artigo de opinião de Jorge Laiginhas, saído hoje no JN:















E se o Norte de Portugal e a Galiza se casassem?!...

Jorge Laiginhas , Escritor

O professor Universitário Alberto Castro escreveu, a 17 de Abril neste jornal, que "com a chegada da democracia a Espanha, os desejos de autonomia de algumas regiões, entre as quais a Galiza, reacenderam-se e obtiveram consagração. Do lado de cá, havia as regiões-plano e as respectivas comissões de coordenação. Os intercâmbios entre o Norte e a Galiza intensificaram-se e as assimetrias de poder de decisão começaram a vir ao de cima. Enquanto do lado de lá uma discussão podia acabar com a fixação de um objectivo e um orçamento estipulado, do lado português elaboravam-se relatórios para os vários ministérios da tutela. E ficava-se a aguardar."

É verdade que povo português recusou, em referendo, a regionalização. Pudera! Deram-lhe a escolher entre omeleta de feijões e omeleta de feijocas. O povo, confuso, escolheu continuar a comer caldo de couves.

Os nossos governantes sabem que regionalizar implica partilhar. Sim. Partilhar tudo. Também o poder. É esse o motivo porque a criação de regiões administrativas não avança.

Os políticos, os nossos políticos, até se dizem regionalistas, que sim, sim senhor, quando estão na oposição, que "nim", "nim" senhor, aquando das campanhas eleitorais, e, já anchos de poder, vomitam que é necessário "um consenso político sobre a necessidade de se fazer a regionalização".

Entrementes, medram os eucaliptos em Lisboa e medram as giestas em quase dois terços do país!

Cá pelas bandas do Norte - é aos nortenhos que o cronista se dirige - começa a crescer um sentimento que foi já semeado em tempos de antanho o nosso futuro ainda é possível. Aqui. E é possível se assumirmos, colectivamente, uma atitude mais arrojada. Esqueçamos o eucaliptal de Lisboa e voltemo-nos para a Galiza. Sim, para a Galiza. A Região Norte de Portugal e a Galiza formam um território de 50 000 quilómetros quadrados onde vivem seis milhões de pessoas unidas por uma cultura comum. É o Noroeste Peninsular.

O Noroeste Peninsular é constituído por um sistema urbano de média dimensão, disseminado uniformemente por todo o território. Nove cidades no Norte de Portugal e nove cidades na Galiza que já partilham intimidades que apenas cidades irmãs é costume partilharem.

A economia do Noroeste Peninsular está enraizada. Vinhos únicos no Mundo, têxteis que inventam as cores, mobiliário que faz a ponte entre a memória e o imprevisível, construção naval com história, frutos do mar, e frutos dos rios, e frutos das rias, gastronomia, água, água salgada, água doce, montanhas e vales, um ano inteiro de estâncias termais…

Uma rede de universidades de excelência dá-nos a garantia de que o Noroeste Peninsular vai estar lá, onde estiver o futuro.

O Norte de Portugal e a Galiza - libertos das fronteiras artificiais a que Lisboa e Madrid os amordaçaram em tempos idos- deram-se à conversa, cada qual com o seu timbre de voz. Há quem diga que até já namoram. E se o Norte de Portugal e a Galiza se casassem?!...

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Os Complexos e as Reclamações



















Após ler a entrevista prestada por Valente de Oliveira ao JN fico com uma sensação de que as coisas cada vez mais se compõem e seguem o caminho que culminará com a criação de regiões, a breve prazo. O facto de algumas vozes começarem a apontar a desnecessidade da realização de um referendo, apelando à urgência da situação, é espelho da gravidade do estado em que nos encontramos (todos, não apenas nós) e do estado de saúde da economia portuguesa. Prescindir da região mais industrializada do país, esquecê-la e - pior que tudo - sufocá-la, é atentar contra a própria economia do país.

Não sei quais as razões que levaram a que taís políticas se fizessem valer e que contribuíram para o declínio da situação económica da região mais dinamizadora do país. Ou talvez não me apeteça falar delas, apesar de as saber, pois não acredito na sua inocência. Sei é que ao criar o estigma do provincianismo dos políticos nortenhos, determinadas pessoas estavam a ser mais provincianas ainda, juntando-lhe uma dose enorme de más-intenções.

Além do estigma criado em redor dos nossos políticos - fazendo com que frases feitas como "só sabem reclamar" ou "são ricos e ainda querem mais" entrassem diariamente nos nossos ouvidos vindo dos mais variados sectores da comunicação social - criou-se também o estigma negativo de que qualquer iniciativa a fim de promover ou de enaltecer uma virtuosidade desta região se tornasse sinónimo de um sentimento regionalista, logo negativo e causador de divisões desnecessárias num país tão unido e unicultural. Um estudo de uma Universidade portuense a divulgar factores económicos era uma forma de regionalismo provinciano e ultrapassado. Qualquer, mas qualquer coisa, que fosse relacionada com o Norte, vindo de entidades ou instituições nortenhas significavam pequenez, mesquinhez, complexos de inferioridade. Porém, se uma qualquer instituição alentejana enaltecesse os cantares alentejanos era visto como forma de orgulho e não como um perigo para a integridade nacional.

Ha que ultrapassar este complexo de afirmação na nossa identidade e todos devemos unir-nos com o intuito de melhorarmos, evoluirmos e recuperarmos o estatuto de região líder do país, pois isso não revela problema algum. Revela sim é competência, dignidade e competitividade. Que são atributos que estão em falta e que se revelam necessários para o processo de recuperação económica da região. Deixemos de ter os complexos de que quem reclama é como quem mendiga. Quem reclama é porque quer mais. É porque se sente injustiçado. É porque quer crescer e não pode. Deixem-nos respirar e seguir caminho pelos nossos pés. Evoluiremos. E o país também.

A Urgência na Regionalização











Entrevista a Valente Oliveira, vice-presidente da AEP

Parece que foi ontem que o Norte estava entre as dez regiões mais industrializadas da Europa. Mas o Mundo mudou, a economia afundou-se e, com ela, a qualidade de vida das pessoas. Valente de Oliveira reconhece responsabilidades no Norte e em Lisboa, mas recusa esperar pela iniciativa da capital. A região tem que formar os seus próprios lideres e "protestar, protestar, protestar" pela defesa dos seus interesses. E convencer o país a avançar com a regionalização. Quem o diz, do alto dos seus 70 anos, sabe do que fala pois estuda o país e conhece o Norte e os seus problemas como poucos

JN|A crise que o Norte atravessa já estava anunciada há muito. Era possível evitá-la?

Valente de Oliveira|A crise tem causas profundas, o mundo mudou muito e muito rapidamente. Quem não estava metido no modelo da economia de então tinha mais facilidade, mas nós, que somos uma velha região industrial, estávamos amarrados a tecnologias, a modos de proceder, a mercados. Fomos uma das dez maiores regiões industriais da Europa, ainda há pouco tempo, o que confere uma força muito grande, dá características tecnológicas, de organização, uma mentalidade especial aos agentes económicos. Não seria a mesma coisa se não tivéssemos uma marca tão grande. Mesmo assim, há gente que se soube adaptar muito bem e fazer a mudança com grande determinação.

Essas pessoas estão a criar a dinâmica necessária para puxar a região?

São essas que, para já, estão a aguentar as exportações. Que sejam capazes de arrastar todas as outras, não tenho a certeza, ou antes, parece-me muito difícil. Porque em primeiro lugar não comunicam facilmente os seus segredos. O que é preciso é fazer outras coisas, noutras indústrias mais complicadas. Mas se formos a ver indústrias muito tradicionais, como os têxteis e o calçado, há gente que está a dar a volta. O que é preciso? Descontrair mais, estar aberto a mudanças, à introdução de novos sectores. E estamos com alguma rigidez, nomeadamente na lei laboral. Não se pode fazer a reconversão com leis tão rígidas no campo laboral, que não permitam já a mudança tecnológica e de organização. Quando se aparece sem vínculos para trás é melhor. É um esforço muito grande que é pedido.

A lei laboral está a ser revista, tudo indica que no sentido da maior liberalização…Que é indispensável…

Mas a curto prazo tem impacto no desemprego...

É verdade, mas se virmos o que fizeram os outros países… A Espanha, no tempo do Felipe González (um primeiro-ministro socialista), aguentou taxas de desemprego de vinte e tal por cento. É preciso arranjar mecanismos adequados de apoio no desemprego? É, naturalmente. Não se pode dar volta à estrutura industrial com mais um grau de dificuldade, de amarração. É preciso não comprometer. Porque o resto já é tão complicado! A parte tecnológica, dos mercados, a internacionalização, o lidar com nova gente, o ter que fazer parcerias com estrangeiros... Quem é que está a dar a volta, tirando a China? A Índia, a Irlanda… A Irlanda é um elemento de comparação complicado.

Tem muitas vantagens que Portugal não pode ter…

Começa pela língua e, depois, uma educação enorme. Nós somos o outro lado do espelho. Começamos com as infra-estruturas. A Irlanda começou com formação e hoje tem um problema enorme de infra-estruturas. Não quero desculpar o passado. Ainda hoje se deve atender mais à educação e formação profissional.

O Norte tem um grave problema de desemprego. Como pode ser ultrapassado?

Fico sempre intrigado quando falo com empresários que dizem não conseguir arranjar mão-de-obra. E há desemprego. Por muito estranho que pareça, para resolver esse problema é preciso a flexibilização das leis laborais, que permitam restringir a mão de obra e viabilizar empresas; e a formação profissional e a educação, temos que lhe dar uma ênfase muito grande. Diante do desemprego o que podemos fazer? Educação e formação profissional e, por muito insólito que pareça, maior flexibilidade no mercado de trabalho.

Apoia a política reformista deste Governo?

Sim sim, apoio o espírito reformista de uma maneira geral. O reformismo deve ser permanente e por pequenos passos, particularmente em Portugal, porque quando se fazem grandes reformas o que habitualmente acontece é que vai a água suja do banho e o bebé junto, como dizem os ingleses, e eu quero ficar com o bebé. O importante é que consigamos actores novos.

Há líderes no Norte?

Tenho a vantagem de dizer isto há 30 anos: precisamos de líderes não só científicos (que temos), não só empresariais (que temos), mas políticos. Precisamos de líderes regionais. Não pode ser um líder local transformado em regional, sem ser legitimado pelo voto regional. Isso é fatal. O que é que se precisa neste momento? De alguém com poder de convocatória grande, para convocar as universidades, associações, empresas, serviços, para resolver problemas de isolamento. Não há redes, precisamos de alguém com legitimidade para as tecer.

Há pessoas que podem tornar-se esses líderes?

Acho que sim.

Quer identificar?

(...)


Continuar a ler em:

http://jn.sapo.pt/2007/05/03/dossier/_Precisamos_de_l_deres_n_o_s_.html?name=News&file=article&sid=3429/

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Gaia... a pequena Londres do Mediterrâneo?














Li hoje no jornal Público a notícia da pretensão da edilidade gaiense em atrair investimentos ingleses, tendo para isso apresentado um projecto na capital inglesa. Nesse projecto constava a ideia da tranformação de parte das caves da Croft em Hotel de 5 estrelas, respeitando as normas arquitectónicas em vigor para qualquer centro histórico. Um novo hotel de 5 estrelas, para clientes abastados, com ofertas do melhor que há a este nível, incluindo spa e vinoterapia (existente apenas na África do Sul e França). Presumo que os terraços defronte do hotel também constituam alguma espécie de terapia, tão formosa é a vista que dali se alcança e relaxante o silêncio que se desfruta nestas zonas romãntico-industriais do centro histórico gaiense.

A iniciativa até prima por ambiciosa. E revela o interesse em revitalizar o centro histórico da cidade. Mas pergunto se será com a tranformação deste em instãncia turística que se revitalizará o que quer que seja. Mais se ganhava com um verdadeiro plano de recuperação dos edifícios degradados (que não me parece ser este o caso), tranformando-os em equipamentos de divulgação cultural e habitação ao alcance das bolsas dos jovens, respeitando sempre o seu traço arquitectónico. O centro histórico de Gaia prima por uma atmosfera romântica e ao mesmo tempo industrial do séc. XVIII e XIX que deve preservar-se. E não só a arquitectura do espaço como a sua atmosfera devem ser alvo de medidas que visem preservar as suas peculiares características.

Mas o que me causou realmente espanto e o que fez com que abordasse aqui esta notícia foi a afirmação da intenção de fazer de Gaia a "pequena Londres do Mediterrâneo. Pequena Londres do Mediterrâneo? A mim causa-me uma admiração enorme que pessoas com cargos responsáveis numa edilidade possam proferir afirmações tão descabidas sem que sejam chamados à razão por isso. Dizer que Gaia é mediterrânica é o mesmo que dizer que a Turquia é europeia. Não é! Nem uma é europeia nem a outra é mediterrênica. Uma tem metade duma cidade (por sinal a mais carismática e importante) no continente europeu. A outra metade fica no continente asiático. Mas nem isso é relevante, pois em tudo a sua atmosfera é oriental. E isso sente-se nas ruas, na cultura, na música, nos bazares, nos cheiros, nos costumes. A outra fica situada na costa atlântica, tem clima atlântico, é verde, granítica e fria. Mais a sul, dentro do país que faz parte há um clima que se assemelha ao clima mediterrãnico. A cultura desta região do país pode ser considerada mediterrânica, dependendo das prespectivas. Mas Gaia não se insere nesta região. Insere-se numa região húmida, verdejante e é banhada por um mar bravio e frio que se espalha pelas suas praias rochosas. Dizer que é mediterrânica é dizer uma energumenidade de todo o tamanho. É ser-se ignorante e dizer isso porque muita da cultura do país padece de um certo mediterranismo. Ou então sintetizou isso como meio de atração para investimento turístico. Será?

Gaia é Atlântica. É fria. É rochosa e granítica. É de ventos fortes e provenientes do norte. Cheira a mar e a terra húmida. É de gentes moldadas pelo clima e pela terra. Em tudo o Atlântico está presente na sua aura. E isso sente-se nas gentes, na sua cultura, na sua gastronomia, na sua música e no seu espírito e carácter.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Uma Boa Iniciativa




Vai realizar-se o 1º Encontro de Bloggers e Leitores de Blogues do Minho. O blogue "Calécia" apoia esta iniciativa. Mais informações carregar na imagem.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

O Norte Chinês















Artigo de opinião do prof. Alberto Castro, no JN

A força do destino?

A semana que passou foi farta em notícias que, directa ou indirectamente, dizem respeito à Região do Norte. Os dados revelados pelo INE sobre a evolução da economia nortenha e do PIB per capita regional chocaram as boas consciências, por verem em letra de forma aquilo de que todos já suspeitavam mesmo a marcha pachorrenta do comboio do subdesenvolvimento nacional é demasiado rápida para nós! Para entendermos o porquê de isto ser assim, e dificilmente poder ser de outro modo, é importante mergulharmos nos detalhes regionais do estudo apresentado, também esta semna, pelo Ministério da Educação. Como diz Joaquim Azevedo, enquanto país "perdemos o passo da lebre": não conseguimos tornar sustentável o ritmo de convergência com os países da OCDE, estagnámos e, inclusive, começámos a divergir. Também aqui, ou sobretudo aqui, o Norte se destaca pela negativa: nem sequer o "passo da tartaruga" aguentamos, continuando a afundar-nos relativamente ao resto do país, sobretudo no Ensino Secundário. Não era, mas podia perfeitamente ser esta realidade que Manuel Pinho tinha em mente quando falou de Portugal como um país com baixos custos salariais. Com uma força de trabalho com tão baixas qualificações, e que persiste em desprezar o papel da educação e da formação, há o risco de o modelo chinês se transformar de ameaça em destino! Venham, então, os chineses, os salários chineses, as condições de trabalho chinesas. Ao fim e ao cabo, temo-nos esforçado para criar a envolvente em que eles se sentirão confortáveis. Falta, é certo, abolirmos algumas dessas absurdas regulamentações sociais, uma ou outra liberdade e garantia e talvez essa coisa do impacto sobre o CO2. Essas devem ser as nossas prioridades! Nessa altura, o capital chinês afluirá ao Norte e Vila do Conde, actual sede da comunidade chinesa mais numerosa, passará a crescer ao ritmo de Xangai, absorvendo, antes de 2050, o Porto e Viana do Castelo, transformando-se numa metrópole que rivalizará com Nova Iorque. A antiga estrada nacional Porto-Viana será bordejada por majestosos arranha-céus, tornando-se a avenida europeia mais cosmopolita. A Póvoa de Varzim destronará Macau como a capital do jogo do Mundo. O F.C. Porto que, ao crismar de Dragão o seu estádio, antecipou todo este processo, passará a ter mais jogadores chineses do que sul-americanos.

É esta a brilhante estratégia que os agentes da Região, em conluio com o Governo, têm vindo, laboriosa e sigilosamente, a preparar e que Manuel Pinho, inadvertidamente, desvendou. O Norte será a China da Europa, com chineses a sério e tudo! É a força do destino!

Será? Como se costuma dizer, há pormenores que às vezes são "pormaiores". É o caso dos tais direitos, liberdades e garantias. Que são cultura e civilização. Mesmo se algumas das regulamentações precisam de ser aliviadas, para não gerar o paradoxo de vermos empresas de fabrico de vestuário a fechar, lamentos na televisão e… haver falta de costureiras. Mas nunca o regresso à barbárie. O que torna o desafio mais urgente e requer acção. A regionalização pode esperar, nós não. É indispensável que agentes e instituições convirjam para um plano de actuação que assegure o desenvolvimento da plataforma logística de Leixões, a dinamização do aeroporto, um plano de educação e formação gerido de acordo com as necessidades e com os incentivos e penalizações apropriados, mais descentralização de decisões. E uma avaliação rigorosa e independente das mesmas. Antes e depois. O programa proposto pela CCDRN é um excelente ponto de partida. A regionalização? É já a seguir!

Alberto Castro, Professor universitário


http://jn.sapo.pt/2007/02/06/opiniao/a_forca_destino.html?name=News&file=article&sid=3429/

quinta-feira, 19 de abril de 2007

SOS Mourela: a explicação










Há uns dias publicámos um artigo que apelava para o desastre que se adivinha na Mourela (Pontes, concelho da Crunha). Propomo-nos agora a abordar esta verdadeira atrocidade que pretendem cometer. O Círculo Lítico da Mourela foi descoberto (ou re-descoberto) em 2003 e era composto de 5 mamoas e 3 círculos líticos. Após os atentados de que foi alvo, em distintas ocasiões, ficou reduzido a duas mamoas e a uma parte do círculo lítico mais importante. O resto perdeu-se. Desde os que ignoram a herança cultural dos nossos antepassados, aos que, com propósitos interesseiros, promoveram também a destruição do sítio arqueológico, passando pelas entidades que podiam - e deveriam - ter tido uma medida de preservação em relação ao espaço, todos são culpados. Séculos de vestígios históricos que perduraram nos tempos até hoje, perderam-se irremdiavelmente para sempre. O que resta é uma pequena amostra. Porém, é uma amostra ainda assim importantíssima que poderá ser reveladora de questões que intrigam os historiadores acerca desta civilização atlântica que construía círculos líticos, mamoas, antas e dolmens. E uma amostra que urge preservar. Para nos conhecermos melhor a nós próprios.

Este legado está em perigo porque os iluminados dos que governam na hora de contornar os problemas, fazem-no de uma maneira original: vão em frente.. e por baixo. A ideia é construir um túnel que passe por baixo do espaço e que, segundo eles, garante assim a sua integridade. Podemos desde já imaginar o cenário. Um sítio de uma importância histórica enorme, convivendo com a calma e a pacatez de uma movientada auto-estrada. Um sítio que exige reflexão e silêncio confrontado com a pressa desenfreada da modernidade, que não olha para trás, nem para os lados. Vai em frente. Nem que para isso seja preciso ir por baixo!...







http://www.amigus.org/mourela.php?name=News&file=article&sid=3429/

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Entrevista de Tourinho ao JN



















Emilio Perez Tourinho
Presidente da Junta da Galiza
Entrevista no JN


O facto do Norte não ser uma região administrativa como a Galiza constitui um obstáculo à boa cooperação?

Quando há vontade de cooperação por parte do Governo português e da CCDRN, tal permite estabelecer projectos e superar fronteiras. Evidentemente, há aí uma assimetria que tem condicionantes. Sem dúvida que a autonomia da Galiza tem competências exclusivas em matéria de meio ambiente, habitação, saúde e infraestruturas, o que nos dá um nível de decisão elevadíssimo. Tal não acontece com a CCDRN. Mas temos de superar esta situação com vontade política e de cooperação.

Do que conhece do território e crescimento portugueses, a regionalização é vantajosa, como defende Carlos Lage?

Baseando-me na minha experiência própria e sem pretensão de exportar qualquer modelo, tenho de reconhecer que uma parte importantíssima do êxito de Espanha reside na descentralização. Seria inimaginável a evolução político-económica positiva de Espanha, para além da política institucional, sem o processo autonómico. Regiões como a Extremadura, a Andaluzia ou a Galiza deram um salto fundamentalmente graças à capacidade autonómica, a par da solidariedade do estado.

O Norte teria, então, a ganhar com a regionalização?

Sim. Não posso deixar de partilhar essa ideia.

O actual modelo de organização pode explicar o atraso relativamente à Galiza?

Para a Galiza, a regionalização foi, sem dúvida, um processo de transição de primeira ordem. Quero crer que também operaria de forma positiva deste lado da fronteira. Mas, por respeito institucional, não quero fazer uma intervenção política neste sentido.

Ficou zangado com os governos pela sede do secretariado do Grupo de Trabalho Transfronteiriço, que vai gerir os fundos comunitários, ficar em Badajoz e não na Galiza?

A perspectiva tem de ser sempre de colaboração positiva e o que precisamos é de dotar o Norte e a Galiza de uma entidade própria de cooperação, por isso estamos a pôr em marcha, para este ano ainda, o Agrupamento Europeu Transfronteiriço. Quanto à decisão sobre a sede, julgo que se prende com a proximidade aos respectivos centros políticos de Madrid e Lisboa.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Círculo Lítico da Mourela









http://www.amigus.org/mourela.php?name=News&file=article&sid=3429/

Cooperação entre galegos


Algumas ilações a tirar da notícia do PÚBLICO:


Eis um bom exemplo de como devem ser geridos fundos e como se deve trabalhar de forma conjunta e orientada, com ambas as partes a cooperar entre si. Ao passo que dentro do nosso país o mais que recolhemos são entraves ao nosso desenvolvimento e à maneira como achamos melhor gerir os nossos recursos, através de decisões políticas polémicas e de bloqueios burocráticos pretenciosos, com os nossos parceiros do norte conseguimos um entendimento que nos possibilita tirarmos melhor proveito das nossas gerências.

E porquê? Porque simplesmente caminhamos no mesmo sentido. Porque queremos o melhor para ambos. Porque nenhum deles deseja ou teme o desenvolvimento económico do semelhante. Porque não há inveja. Porque ambos tenhem sede e desejo de se afirmar como poderios económicos - e sub-aproveitados - que são.

Região Norte e Galiza avançam para a gestão integrada dos aeroportos e dos portos dos dois territórios

Responsáveis políticos da euro-região reúnem-se hoje em Guimarães para aprovar plano estratégico que reserva 73 milhões para a cooperação transfronteiriça
O tempo em que o Norte de Portugal e a Galiza funcionavam de costas voltadas está definitivamente enterrado. Representantes das duas regiões reúnem-se hoje, em Guimarães, para discutir a aplicação de 73 milhões de euros em projectos de cooperação transfronteiriça, entre 2007 e 2013.
Além de sublinhar a importância de fazer avançar a ligação ferroviária em alta velocidade entre o Porto e Vigo (as duas regiões comprometeram-se a escrever aos respectivos governos para exigir o cumprimento do calendário estabelecido - 2009-2013), o plano estratégico de cooperação Galiza-Norte de Portugal, a que o PÚBLICO teve acesso, abre a porta à gestão conjunta dos quatro aeroportos, bem como dos portos marítimos desta euro-região.
Apesar de não vir expressamente referida no documento, essa reivindicação prevê a criação de um consórcio transfronteiriço de transportes, com capitais públicos e privados. A ideia é pôr os três aeroportos galegos e o de Francisco Sá Carneiro, no Porto, a funcionarem em complementaridade ao nível dos preços, linhas e clientes. O mesmo se aplica aos portos da euro-região: Leixões e Viana, do lado português, e Vigo e Corunha, do lado galego.
O plano estratégico que é hoje discutido será gerido pelo futuro Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial, um organismo a criar até ao final do ano e que ficará localizado no Centro Tecnológico do Mar, em Vigo. Esta entidade vem substituir o actual Eixo Atlântico, representando igualmente os 18 principais municípios desta euro-região que soma cerca de 6,3 milhões de habitantes.
Ao PÚBLICO o vice-presidente da CCDR, Paulo Gomes, especificou que a cooperação vai incidir também no domínio marítimo, por via de uma gestão integrada da bacia dos rios Minho e Lima. No domínio da qualidade e da segurança alimentar, o objectivo é desenvolver em conjunto tecnologias de conservação de pescados e avançar com a certificação de produtos, também no sector da agricultura.
De igual modo, poder-se-á passar à gestão integrada dos parques naturais do Gerês e de Montesinho. "Faz todo o sentido uma aposta de intervenção integrada nestes espaços de fronteira", declarou o vice-presidente da CCDR, para quem "nunca como até agora se avançou de forma tão ambiciosa na cumplicidade entre as duas regiões".
Paulo Gomes sublinhou ainda que os 97 milhões de euros que a UE destinou à euro-região "são apenas um terço do montante obtido nos últimos sete anos", admitindo, por isso, que as duas regiões possam desviar até 10 por cento dos respectivos envelopes financeiros regionais para montar esquemas de intermodalidade no movimento de mercadorias, empresas e pessoas.
23%
Foi quanto aumentaram as exportações entre o Norte e a Galiza, nos últimos quatro anos, segundo Emílio Perez Touriño, que ontem participou num jantar-colóquio, no Porto, com políticos e empresários de ambas as regiões.



in PÚBLICO

quarta-feira, 11 de abril de 2007

"Regiões Sim"

A luta pela regionalização vai voltar à cena. Um movimento cívico nascido em Coimbra e baptizado "Regiões Sim", formaliza-se no dia 26 de Abril para pedir a realização de um novo referendo. O objectivo é recolher 75 mil assinaturas para apresentar na Assembleia da República uma proposta legislativa para levar a criação de regiões a consulta popular.

A questão, chumbada em referendo há dez anos, regressa agora com o impulso do PSD e do CDS, enquanto, segundo o jornal "Público", o PS argumenta que ainda não é tempo de voltar ao tema falta adequar a máquina do Estado.

A associação a criar defende um mapa com cinco regiões, coincidentes com as actuais comissões de coordenação regional, adianta o diário. A ideia é encabeçada por Mendes Bota, que se diz "cansado de debates" e resolveu repescar o assunto para a sociedade civil depois de o PSD ter recusado a sua moção sobre regionalização no último congresso do partido. E diz agora dar a cara por um movimento independente, com gente de todos os quadrantes sociais e partidários.

Do lado dos socialistas, a questão é remetida para o programa do Governo, segundo o qual um referendo a regionalização só caberá numa próxima legislatura, depois de levar a cabo a desconcentração do Estado às cinco regiões em causa. Mas não recusam o debate.



http://jn.sapo.pt/2007/04/09/nacional/movimento_nasce_pelas_regioes.html/

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Quero. Posso. Mando.













Prosseguem as posições irredutíveis do governo em relação a assuntos de carácter sério. Teimam em fazer democracia segundo antigos hábitos ditactoriais. Porque só assim podemos adjectivar as posições do governo face aos assuntos do Metro do Porto e do Aeroporto da Ota.

Não sei porquê existe esta tendência para a concentração de poderes. O governo prepara-se para deter sob a sua alçada a gestão do Metro do Porto já em Maio próximo. Presumo que por trás desta sua intenção esteja algo mais do que a simples gestão eficiente da empresa. Iremos, mais uma vez, assistir a uma gestão de gabinete, a quilómetros de distãncia do terreno e com uma visão muito própria das coisas. Mas não contentes, ainda excuíram quaisquer hipóteses de os autarcas das cidades da Junta Metropolitana do Porto integrarem o conselho de administração. Desta forma, minimizam-se as hipóteses de haver pressões internas para o acelerar das obras de construção da linha de Gondomar, da Boavista e do pouco que falta da linha de Gaia, até Laborim.

A mim custa-me encaixar que no decorrer do séc. XXI exista tal tipo de atitude por parte de um governo da Europa ocidental, membro da UE. Tais movimentações são baixas, carecem de moral e só visam satisfazer os interesses dos governantes. Tomar uma atitude de irredutibilidade em relação a uma facção que pretende, a bem das populações, o início rápido das obras é uma forma estranha de fazer democracia. Tomar a empresa para si, excluindo as partes mais interessadas no processo, de qualquer poder de decisão já não sei o que é.

Em vez de termos uma democracia que desburocratize processos e que se satisfaça por haver pessoas com vontade de fazer com que estes se desenvolvam, o governo-lhe cria entraves. E faz as coisas de uma forma duvidosa e premeditada. Excluir as partes interessadas do processo de decisão é bloquear a democracia e impedir o país de se desenvolver.

terça-feira, 3 de abril de 2007

Oficina Transfronteiriça UE: Empresários vigueses atribuem culpa ao pouco peso político de Vigo














A Junta da Galiza foi criticada pela Câmara de Comércio de Vigo, tendo-a culpado por não ter feito valer como devia o peso económico e social das relações entre a Galiza e Portugal, junto do estado espanhol. O não aproveitamento de uma conjuntura real como argumento válido para justificar Vigo como sede da oficina revelou-se fundamental para a escolha de Badajós.

Basta lembrar que a Galiza é a área fronteiriça que mais intercâmbios realiza com Portugal. E que tem todo um passado e uma história em comum. Porém, Badajós encontra-se no meio da principal via terrestre entre as capitais do estado espanhol e português. E ficará a meio da futura ligação de comboio de alta velocidade entre as mesmas. Ligação que parece chegar mais rápido que a ligação Porto-Vigo. E que concerteza chegará primeiro.

Lá como cá, as semelhanças evidenciam-se. O interesse é notório, mas apenas por parte da Euro-Região. As entidades responsáveis que poderiam decidir e que poderiam interceder de uma forma a que esta realidade fosse concretizável caminham sempre debaixo das ordens de Madrid. O cenário é cinzento. Cá não há uma entidade capaz de fazer valer os interesses da nossa região. Tal capacidade pertence a Lisboa, que sabe melhor que ninguém o que é melhor para nós. Lá existe uma Junta vassala do poder da capital e que pouco faz para protejer os interesses da região.

Ao menos lá, ainda há vozes que se levantam, insurgidas contra o fracasso das negociações e contra a maneira como estas foram desenvolvidas. Cá é o silêncio. Não há opiniões e não vi na imprensa o impacto que este assunto merece.



http://www.vieiros.com/nova/56960/empresarios-din-que-o-pouco-peso-politico-de-vigo-impediu-acoller-a-sede-para-a-cooperacion-con-portugal/

sexta-feira, 30 de março de 2007

Passar da Raia














21-Mar-2007

"Destruí essa raia que separa, como uma muralha de ódio, uma família de irmãos, convertendo-a em estrangeira, e sobre as ruínas dessa muralha tendei a ponte pela qual se comunique e enlace o coração da Galiza ao coração de Portugal (...)" M. Curros Enríquez, 1893


Em Mandim há uma taberna. O taberneiro chama-se Xico. A raia passa perto de ali e a taberna é um couto mixto. Galegos de aquém e de além convivem e combebem. Fala-se galego; galego de cá e de lá. Serve-se aguardente do país, destilada por um velho alambiqueiro no Cambedo. Mas o país ficou talhado por uma raia. Ouvem-se cantigas do Zeca e foliadas de gaita, dançam-se moinheiras e viras. A raia passa perto, mas na Taberna do Xico as raias ficam fora. O Couto Mixto está perto de Calvos de Randim. Lá há uma igreja e na igreja uma arca velha. Um dia essa arca foi o símbolo de uma república de pessoas livres. A última ponte entre a Galiza e Portugal que ficava em pé. Lá nada se sabia de geopolítica nem de razão de estado. Um dia a geopolítica e a razão de estado chegaram lá. Agora só fica a velha arca agachada no fundo de uma velha igreja e, lá ao fundo, a raia a cortar o horizonte. Enquanto o alambiqueiro do Cambedo fia no bagaço, alguém conta mais uma vez a historia dos guerrilheiros. Chegaram fugindo da Guarda Civil e acharam refúgio na aldeia. Os fascistas rodearam as casas e depois de horas de inútil caça ao homem mudaram de estratégia. Começaram a cair as bombas sobre o povo cúmplice. Algum guerrilheiro logrou fugir, outros não. O povo também não. Foi punido exemplarmente: Para a cadeia do Porto. Ainda ficam testemunhas. Há também uma tabuleta que diz “em memória do vosso sofrimento”. Feridas. Cicatrizes. Raias... O Cambedo é um dos três “povos promíscuos”. Já o nome diz tudo. Os outros dous são Lamadarcos e Soutelinho. A raia passava pelo meio das casas. Na cozinha eram espanhóis (da Galiza) e no comedor, portugueses. Um dia chegou a geopolítica. Espanha ficou com o Couto Mixto e Portugal com os “promíscuos”, que assim deixaram de o ser de vez. Um dia armou-se foliada. Os gaiteiros eram de além a raia e os dançantes de aquém. Chegou a Guarda Civil. “Los españoles no pueden estar aquí. Se acabó la fiesta, cojones”. Foram-se para a raia. Galegos de cá, de uma banda e galegos de lá, da outra. Continuou a folia transfronteirizamente. Em Vilarelho da Raia há uma pedra a separar duas hortas. Essa pedra separa também dous estados. Espanha: cebolas; Portugal: batatas. Que pouco são os estados às vezes. Em Vilarelho também há um formoso museu etnográfico. A primeira vez que lá fomos mostraram-nos um carro de vacas, uma enxada, um jugo de canga, um funil, várias olas, uma gramalheira...O amável senhor que nos acompanhava esforçava-se por tentar explicar-nos os mistérios da roca, ou os diferentes usos da fouce. Falava melhor galego do que nós mas havia toda uma raia a separar-nos. Na taberna do Xico contam-se centos de histórias semelhantes. Histórias de uma linha traçada sobre as raízes, a música, as pedras, as casas, os meninos, as línguas, as consciências, as vidas, o futuro, os direitos, a dignidade... Histórias de uma raia inútil, porque a vida tende as pontes que a geopolítica derruba. Absurda, porque a memória ressuscita os laços que a (sem)razão de estado tenta talhar. Para apagá-la bastaria com derrubar os fitos de pedra perdidos por esses montes, que são a única marca física da sua existência. Mas essa não é a verdadeira raia...A verdadeira é a que levamos na cabeça. E essa vai connosco a onde quer que vamos. Uma raia por pessoa neste país das mil raias.


A GENTE DA BARREIRA